Tributo a Tom Jobim

Meu amigo Tom, meu amigo Radamés

 

Um musical de câmara para celebrar o encontro entre os dois gênios na modernização da música popular no Brasil.

 

Responsáveis diretos pelo altíssimo padrão de acabamento atingido pela Música Popular Brasileira na segunda metade do Século XX, Radamés Gnattali (Porto Alegre 1906/Rio 1988) e Tom Jobim (Rio 1927/New York 1994) tiveram afinidade mais que musicais ao longo da vida.

Quando Tom começou como pianista e compositor, por volta de 1950, Radamés de imediato reconheceu seu talento e o convidou para escrever e tocar com a orquestra da Rádio Nacional, a emissora mais importante da época. Mais tarde, Gnattali declinou do convite para escrever o musical “Orfeu da Conceição”, escrito por Vinícius de Moraes e indicou Tom. O resultado se tornou conhecido em todo o mundo, consagrando internacionalmente o autor de “A felicidade”.

Mesmo nos anos em que viveu mais fora do Brasil, Tom nunca perdeu contato com Radamés, a quem chamava de “Pelé do piano”. Esse por sua vez, admirava em Tom a síntese melódica e o extremo bom gosto para a harmonia.

“Meu amigo Tom, meu amigo Radamés” sintetiza amizade e afinidades musicais em um repertório que inclui desde homenagens recíprocas até clássicos de Tom recriados pela verve pianística de Gnattali.

O elenco do espetáculo reúne o saxofonista Leo Gandelman, músico que cultiva grande intimidade com os dois autores e o Novo Quinteto, remontagem contemporânea do lendário Quinteto Radamés Gnattali. Roteiro e direção musical são de Henrique Cazes. 

 

Pequena historinha de uma grande amizade


Este momento testemunhado pro Henrique Cazes ilustra a amizade, a intimidade entre dois gigantes da música brasileira:

“1982, Praia de Copacabana, dia de semana, cinco da tarde. Estamos num bar, tomando chope com o Radamés e ele está especialmente feliz. Foi convidado para tocar em Cuba e parece que dessa vez vai realizar seu sonho de simpatizante do comunismo.

A tarde começa a cair e avistamos o Tom estacionando seu Dodge Dart. Com os cabelos cuidadosamente penteados, ele entra, cumprimenta a todos e é surpreendido por Radamés que lhe despenteia inteiramente. Vai logo dizendo pro amigo:

- O Tom, você não quer ir para Cuba comigo?

Ainda recompondo a cabeleira, Jobim emenda de primeira:

- Não maestro, ilha pra mim só Manhattan.”

 

Repertório

1. Meu amigo Radamés (Tom Jobim)


2. Bate-papo (Radamés Gnattali)


3. Falando de amor (Tom Jobim)


4. Serenata no Joá  (Radamés Gnattali)


5. Brasiliana nº 7 - (Radamés Gnattali)

I-Variações sobre um tema de viola

II-Samba canção

III- Choro


6. Olha Maria (Tom Jobim/Vinicius de Moraes/Chico Buarque)


7. Quebra-pedra (Tom Jobim)


8. Remexendo (Radamés Gnattali)


9. Amargura (Radamés Gnattali/Alberto Ribeiro)


10. Chovendo na roseira (Tom Jobim)


11. Valsa triste (Radamés Gnattali)


12. Radamés y Pelé (Tom Jobim)


13. Meu amigo Tom Jobim (Radamés Gnattali)

 

Arranjos de Radamés Gnattali, exceto “Meu amigo Radamés”, “Olha Maria” e “Falando de amor” por Cliff Korman e “Quebra-pedra” e “Radamés y Pelé” por Henrique Cazes